Com a aproximação das eleições de 2026, cresce também a responsabilidade dos cidadãos na construção dos rumos políticos do Brasil. O tema foi destaque em uma entrevista especial concedida pelo desembargador Daniel Lagos, Vice-Presidente e Corregedor Eleitoral, ao podcast RolimCast, apresentado pela jornalista Angélica Cristina.
Durante a conversa, o magistrado destacou que o voto é uma das ferramentas mais poderosas de transformação social disponíveis para a população. Mais do que um direito, ele classificou a participação eleitoral como um dever de cidadania capaz de influenciar diretamente a qualidade dos serviços públicos e o desenvolvimento das comunidades.
“O cidadão precisa entender que o voto não é apenas uma escolha momentânea. É uma decisão que impacta a saúde, a educação, a segurança, a infraestrutura e o futuro da sua cidade pelos próximos anos”, explicou.
Segundo Daniel Lagos, uma das principais dificuldades enfrentadas pelo poder público está relacionada à falta de participação popular nos processos democráticos. Para ele, quando o eleitor deixa de votar ou escolhe seus representantes sem analisar propostas e compromissos reais, toda a sociedade acaba sofrendo as consequências.
O magistrado lembrou que os parlamentares possuem papel fundamental na definição dos investimentos públicos, participando diretamente da elaboração e aprovação dos orçamentos que determinam quais obras, programas e ações serão executados nos municípios, estados e na União.
“O orçamento é o instrumento que transforma necessidades em investimentos. Quando a população escolhe representantes comprometidos com as demandas locais, aumenta a possibilidade de que recursos cheguem para melhorar a realidade das comunidades”, afirmou.
A FORÇA DA CIDADANIA
Outro ponto central da entrevista foi a necessidade de fortalecer o conceito de cidadania. Para Daniel Lagos, votar é apenas uma parte do processo democrático.
Ele defendeu que a população acompanhe o desempenho dos eleitos, cobre resultados e participe das discussões que envolvem os interesses coletivos.
Segundo ele, a democracia não termina quando a urna é fechada.
“O eleitor precisa fiscalizar. Precisa acompanhar se as promessas estão sendo cumpridas. A participação popular é o principal mecanismo de controle da atividade política”, destacou.
O desembargador ressaltou que a renovação política faz parte do sistema democrático e que cabe aos cidadãos avaliar, ao final de cada mandato, se determinado representante merece ou não continuar exercendo funções públicas.
COMBATE ÀS FAKE NEWS
Entre os desafios das eleições de 2026, a disseminação de notícias falsas continua sendo uma das maiores preocupações da Justiça Eleitoral.
Daniel Lagos alertou para os riscos da desinformação e defendeu que cada cidadão desenvolva senso crítico diante dos conteúdos compartilhados nas redes sociais.
A orientação é simples: antes de acreditar ou repassar qualquer informação, é necessário verificar sua origem e buscar confirmação em diferentes fontes confiáveis.
“O principal fiscal da informação é o próprio cidadão. Se uma notícia parece estranha, ela precisa ser conferida antes de ser compartilhada”, afirmou.
O magistrado explicou que conteúdos falsos podem gerar prejuízos não apenas para candidatos e instituições, mas também para toda a sociedade, comprometendo a qualidade do debate público.
DENÚNCIA DE IRREGULARIDADES
A entrevista também abordou os mecanismos disponíveis para denunciar irregularidades durante o período eleitoral.
Daniel Lagos destacou que qualquer cidadão pode colaborar com a fiscalização do processo democrático, comunicando situações suspeitas aos órgãos competentes.
Entre as irregularidades mais comuns estão a boca de urna, compra de votos, propaganda irregular e impulsionamento ilegal de conteúdos negativos contra adversários políticos.
Para isso, a Justiça Eleitoral disponibiliza o Disque Eleição, canal que recebe denúncias e encaminha os casos para análise e investigação.
A recomendação é que os denunciantes apresentem informações detalhadas e, sempre que possível, provas que auxiliem na apuração dos fatos.
PARTICIPAÇÃO DE JOVENS, IDOSOS E PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
Durante a entrevista, o desembargador também destacou as ações voltadas à inclusão de grupos historicamente afetados pela abstenção eleitoral.
Segundo ele, a Justiça Eleitoral tem trabalhado para facilitar o acesso de idosos, pessoas com deficiência e jovens ao processo de votação.
Nos últimos anos, projetos de regularização eleitoral ajudaram milhares de rondonienses a atualizar seus títulos e recuperar o direito ao voto.
A preocupação, segundo Daniel Lagos, é garantir que todos os cidadãos possam exercer plenamente sua participação democrática.
“Não existe democracia forte sem participação popular. Cada voto conta, cada cidadão importa e cada escolha influencia o futuro da coletividade”, ressaltou.
ELEIÇÕES QUE PODEM DEFINIR O FUTURO
As eleições de 2026 terão papel decisivo na definição dos próximos representantes que irão comandar o país, os estados e atuar no Poder Legislativo.
Para Daniel Lagos, este é um momento que exige atenção, responsabilidade e compromisso da população.
A principal mensagem deixada durante a entrevista foi clara: o futuro das cidades, dos estados e do Brasil depende diretamente da qualidade das escolhas feitas pelos eleitores.
Mais do que votar, será necessário participar, fiscalizar, cobrar e acompanhar.
Afinal, segundo o magistrado, a democracia se fortalece quando o cidadão compreende que sua voz continua tendo valor muito depois do encerramento da votação.
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